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Meu Dilema Social: Eu Devo Deletar Todos os Meus Aplicativos de Mídias Sociais?

4 perguntas para te ajudar a decidir!

Dentro de poucos dias, amigos começaram a me mandar mensagens perguntando se eu já tinha assistido o documentário da Netflix “O Dilema Social”. No Facebook, alguns usuários começaram a anunciar que estavam excluindo suas contas – tudo por causa desse documentário. As pessoas vieram me fazer essa pergunta porque eu tenho pesquisado sobre mídias sociais e ensinado há alguns anos sobre como ter limites nelas. 

O documentário trata de forma tangível algumas tendências alarmantes que temos visto como sociedade: níveis crescentes de depressão, taxas mais altas de automutilação e tentativas de suicídio, disseminação de informações enviesadas e redução do pensamento crítico. Infelizmente, nada disso me surpreende. Independente de todas essas informações, é fato que algo tem que mudar. 

Eu sei a partir do meu próprio uso como é fácil ficar viciado em usar mídias sociais. Não apenas há uma rolagem infinita de pessoas recomendadas para se seguir e vídeos para se assistir, há literalmente milhares de engenheiros do outro lado da tela, e o único trabalho que eles têm é prender a minha atenção pelo tempo que conseguirem. É assim que eles aumentam o lucro. Como o documentário afirma, “Se você não está pagando pelo produto, você é o produto.”

 Manter a atenção dos usuários na atualidade tipicamente significa criar um “buraco do coelho.” Eu passei por isso na minha página de Pesquisa do Instagram: assim que eu clico em uma janela, eu sou instantaneamente atraída para uma série de stories auto-executáveis, clipes, e memes. Se eu escolho assistir o resto de um vídeo no IGTV, o aplicativo automaticamente começa a reproduzir o próximo vídeo relacionado. Agora, se eu estou procurando fazer algo, isso é útil, mas na maioria das vezes, eu peguei meu celular para fazer outra coisa, mas assim como cair em uma rotina, eu abri o aplicativo e comecei a explorar sem sequer perceber.

Considerando o buraco do coelho, a economia de atenção e o nível crescente de problemas de saúde mental, se livrar das mídias sociais é a melhor solução? 

Não necessariamente. 

Pode haver outra solução. 

No último verão, eu decidi mergulhar e entender o meu próprio uso de mídias sociais. Eu excluí o meu aplicativo do Facebook, mas precisei de 3 semanas para deletar o meu Instagram. Foi assim que eu percebi o quão grande era o meu vício. 

Eu escrevi todos os problemas das mídias sociais em adesivos e grudei na minha parede. Eu lembro de ficar olhando para a parede e me sentindo sobrecarregada por quão grande o problema parecia ser. E o quão igualmente distante parecia que Deus estava disso tudo. Parecia que era algo grande demais, muito fora do meu alcance para que eu pudesse fazer algo para consertar o problemas, mas como você fala sobre tecnologia com Deus? A Bíblia não tinha internet ou computadores, e definitivamente não tinha Facebook ou Instagram. Eu comecei a acreditar que isso seria o meu novo normal.

Conforme o verão foi progredindo, eu li alguns livros sobre fé e tecnologia, os efeitos que isso estava tendo, e como eu precisava ter limites melhores. Porém, só foi quando eu li o livro Do Jardim à Cidade (From the Garden to the City) que eu senti esperança. Eu percebi que Deus não fica assustado com a tecnologia—Ele também a utiliza, e frequentemente de forma inovadora!

Na Bíblia, vemos Deus dando os desenhos do projeto para construir o maior navio que o mundo já viu. Posteriormente, Deus colocou os israelitas no meio da revolução de comunicação entre o Egito, Canaã e Sinai. E quando Ele escreve os 10 mandamentos, ele usa a tecnologia de ponta daquela época—um alfabeto escrito. Não, Deus certamente não tem medo da tecnologia.

Eu também percebi que estava olhando a tecnologia e os aplicativos da maneira errada. Eu costumava pensar que a tecnologia era apenas uma ferramenta. Se eu a usasse para o bem, ela se tornaria boa. Se eu a usasse para o mal, ela se tornaria má. Mas eu percebi que todos os nossos aplicativos—Facebook, Instagram, todos eles— tem o seu próprio sistema de valores. E quando eu escolho usar um aplicativo, eu estou escolhendo abrir mão de alguns dos meus valores para usá-lo.

O Google Maps me convida a não prestar atenção para onde estou indo; eu irei para onde o aplicativo falar que eu devo ir. Leva mais tempo para eu aprender uma rota nova, e eu não consigo apreciar o cenário da mesma forma porque eu estou focada na navegação. Quando eu uso o Instagram, eu escolho colocar valor não apenas na minha expressão criativa, mas também no número de curtidas, visualizações, comentários e mensagens diretas que eu recebo. 

Então o que fazemos? Desde aquele verão, enquanto eu batalhava com o meu uso de mídias sociais, eu encontrei quatro perguntas que realmente me ajudaram a reassumir o controle sobre os meus dispositivos. Talvez elas também possam te ajudar.

  • Por quais valores eu desejo viver?

Esta pergunta começou como um experimento de pensamento. É um pouco triste, mas se eu fosse morrer amanhã, como eu gostaria que as pessoas me descrevessem em meu discurso em minha memória? Elas não vão ler meu perfil de LinkedIn ou nota de falecimento. Em vez disso, elas vão falar sobre meu caráter, meus valores e como eu vivi. Se esse é o caso, isso significa que eu preciso decidir quem eu quero ser, e então usar esses valores para guiar as escolhas que eu faço e os aplicativos que uso. Eu não quero continuar a usar os aplicativos ou a tecnologia de forma cega, e me alinhando com o sistema de valores deles e não priorizando o meu. 

Respondendo isso por mim mesma, eu percebi que quero ser conhecida por depender de Deus, sendo autêntica, alegre e fiel, e presente na vida das pessoas ao meu redor. Uma vez que eu nomeei meus próprios valores, em seguida, eu precisei avaliar se os aplicativos que eu uso apóiam esses valores. Para fazer isso, eu comecei a fazer a próxima pergunta.

  • Como o meu comportamento muda com o passar do tempo usando esse aplicativo ou dispositivo?

Quando eu comecei a usar o Instagram, todos os meus amigos eram criativos. Suas fotos incríveis me intimidavam, então eu não postei fotos por muito tempo. Quando eu finalmente fiz isso, percebi o quão incrível é receber curtidas e visualizações. E eu comecei a prestar atenção em que tipo de fotos tem as melhores reações. 

Eu saí de insegura para uma pessoa buscando aprovação. Ao mesmo tempo, eu me senti menos autêntica, menos feliz e menos fiel, e Deus não estava em nenhum lugar no meio disso. Eu me senti dependente do Instagram e definitivamente independente de Deus. Nas primeiras vezes, eu não percebi. Eu checava meu Instagram, via minhas curtidas, e então dormia, e tudo sem precisar falar com Deus. Eventualmente, conforme eu percebi essas mudanças em meu comportamento, eu comecei a reconhecer o quão inquieta e fora de sintonia eu me sentia em relação a Deus, e vi como o Instagram tinha responsabilidade nisso.

No fim das contas, minha história com o Instagram não é encorajadora, sendo bem honesta. Eu não estou vivendo os meus valores. Sem pensar, eu estou permitindo que o Instagram prenda a minha atenção pelo tempo que for possível, do jeito que milhares de engenheiros planejaram. Em vez disso, meu desejo é usar o Instagram para ver como anda a vida de um amigo, mandar uma mensagem, e então deixar o telefone de lado e viver a minha vida, sem a tela. Não ficar rolando o feed de notícias indefinidamente ou me comparando sem parar. Não para sentir que eu estou perdendo algo ou que só quero satisfazer o meu tédio.

Uma vez que você observou o seu próprio comportamento, se pergunte se ele está mais ou menos em linha com os valores pelos quais você quer viver.

  • Que problema está sendo resolvido?

A terceira pergunta nos lembra do porque um aplicativo foi criado e o motivo de você e eu termos começado a usá-lo. A maioria dos aplicativos foram criados para resolver um problema. Até o TikTok nos dá um certo nível de entretenimento, que tem o seu lugar. Se você não consegue identificar o problema que está sendo resolvido, talvez não valha a pena usar.

Com o Facebook e o Instagram, a necessidade é por comunidade. Eu vivo sozinha, e durante esta pandemia, meus círculos sociais reduziram. As mídias sociais permitiram que eu mantivesse contato com familiares próximos e amigos, mas também com conhecidos mais distantes. Duas das minhas melhores amigas vivem no exterior. Em um ano bom, eu geralmente tenho a chance de vê-las uma vez por ano. As mídias sociais nos permitem termos conversas casuais sobre o que está acontecendo em nossas vidas, apesar de estarmos distantes geograficamente. E não somos os únicos. As mídias sociais estão tratando o problema do isolamento para muitos.

No início da pandemia, um estudo em 30 mercados mostrou que o uso de mídias sociais aumentou em 61% em comparação ao uso normal. “Enviar mensagem pelo Facebook, Instagram e WhatsApp aumentou 50% em países que foram mais atingidos pelo vírus,” de acordo com outra fonte. Até as pessoas que deletaram o Facebook começaram a voltar para o aplicativo, buscando se envolver em uma comunidade. Facebook e Instagram estão ajudando a construir as pontes sobre os abismos sociais que o distanciamento físico e o isolamento criaram. Isso é uma necessidade real? Eu acho que sim. As mídias sociais ajudam? Absolutamente, mas esses aplicativos poderiam ser mais úteis.

  • Há uma forma de usar este aplicativo que se alinha com meus valores?

De forma prática, considerando os meus valores—depender de Deus, ser autêntica, alegre e fiel, e presente nas vidas das outras pessoas—como eu posso usar o Instagram e honrar meus valores ao mesmo tempo? Eu vou ser honesta. É difícil. Eu regularmente deleto o aplicativo Instagram, e esses dias, trabalhando de casa, eu frequentemente tenho que colocar meu telefone em outro quarto. Ainda assim, as mídias sociais têm sido meu contato principal com minha comunidade e mundo afora. Pelo menos para mim, eu não acho que é sábio ou realista deletar completamente todas as mídias sociais de uma vez só. Como eu posso manter o meu celular em uma mão e os meus valores na outra?

Aqui vão alguns limites que eu estabeleci. 

  • Focar meu feed de notícias em Stories que me ajudem a viver meus valores deixando de seguir ou silenciando as contas que não me ajudam a fortalecer meus valores. Eu nunca vou esquecer do momento que eu gritei com raiva por causa do Story das férias de alguém no Instagram. Foi humilhante perceber o quanto a viagem daquela pessoa provocou inveja em mim. A Bíblia nos encoraja da seguinte forma “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Fp.4:8) e “Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros” (Gl. 5:25-26). Enquanto você navega pelo seu feed de notícias, no que você está pensando? 
  • Não deixe que seu feed de notícias se torne uma câmara de eco do que você já pensa e acredita. Eu intencionalmente comecei a seguir contas de pessoas negras, indígenas e pessoas de outras etnias para garantir que eu estou constantemente aprendendo e desafiando meus preconceitos. 
  • Ative o “Tempo de Tela” (iPhone) ou “Bem-estar Digital” (Android). Eu configurei para que os aplicativos no meu notebook e telefone desligassem às 21h. O desligamento abrupto pode ser um pouco chocante algumas vezes, mas bastante efetivo e me ajuda a administrar o meu tempo. A experiência também me lembra quais são os meus valores. E a cada noite eu tenho a oportunidade de reafirmá-los.
  • Mude o seu telefone para a escala de cinza. Não há dúvidas de que as cores do aplicativo no seu telefone te atraem. Só mude para a escala de cinza e você verá. As cores são surpreendentemente efetivas. Você pode facilmente configurar a escala de cinza na maioria dos telefones hoje. E no iPhone, você pode facilmente alternar entre cores e a escala de cinza. 
  • Desative as notificações via push. Quem resiste olhar o celular quando você ouve um som ou até uma vibração? Decida que notificações você acha que são essenciais, e somente permita notificações desses aplicativos. Você pode customizá-las para cada aplicativo nas suas ‘Configurações’. E quando novos aplicativos forem baixados pela primeira vez, eles te perguntarão se você permitirá notificações. Só diga não!
  • Esconda o aplicativo no telefone. Se você quer manter um aplicativo ou simplesmente usar menos, torne-o menos acessível. Coloque na última tela ou em um lugar difícil de encontrar…OU simplesmente use a experiência pelo browser. A experiência do Instagram pelo browser é bastante frustrante. Eu tenho que individualmente selecionar cada Story no Instagram, a página inicial não atualiza regularmente, e é bastante estranho fazer postagens do browser. Porém, eu faço isso com um propósito, para que eu não queira passar muito tempo nele, e nossa, é realmente muito efetivo.
  • Quando você está com outras pessoas, fique longe do seu telefone (algum lugar que não fique próximo do seu próprio corpo). As pessoas geralmente não irão perceber se você não checar o seu telefone. Mas eles sempre irão perceber quando você fizer isso! Colocar o seu telefone longe de você é uma forma silenciosa de hospitalidade. Se você está esperando uma ligação urgente, diga isso para a pessoa com antecedência, se puder, ou explique antes de pegar o telefone. Todo mundo gosta de uma pessoa generosa.
  • Pergunte-se que necessidade você está atendendo ao checar suas mídias sociais, e então pergunte a Deus como Ele pode te ajudar a atender aquela necessidade. Eu fiz isso com séries de TV que eu gosto e com meus aplicativos. Deus já conhece o que você está assistindo. Em vez de ficar navegando de forma despreocupada, por que não perguntar dEle e ver como Ele o que pode te ajudar a atender essas necessidades? Foi bastante útil identificar meu desejo por aventura, descobrir um traço de personalidade, ou reconhecer a aprovação que eu estou desejando e então entregar nas mãos dEle.

Essas perguntas foram planejadas para te ajudar a pensar nisso por si só. Seus valores e vulnerabilidades podem ser diferentes do meu, então suas práticas podem parecer diferentes também. A coisa importante é que você saiba quais são os seus valores e você encontrará formas de alinhar os seus aplicativos com eles, em vez de olhar para o outro lado. Trabalhar essas 4 perguntas te ajudarão a fazer isso.

Você deveria deletar seus aplicativos sociais? 

Para algumas pessoas, a resposta pode ser sim. Mas eu acredito que exista uma outra maneira. É difícil e exige bastante esforço, mas eu acredito que Deus não tem medo de tecnologia, e Ele pode te ajudar com isso. No fim das contas, é uma jornada, e não um destino. Determine por quais valores você quer viver e regularmente monitore o seu comportamento. Eu estou regularmente avaliando meus comportamentos e os limites que estabeleci. Use seus aplicativos de forma que se alinhe com os seus valores. É um processo contínuo. Comece aos poucos. Revise e reajuste seus limites conforme necessário. Sua atenção não precisa ficar presa, conforme milhares de engenheiros planejaram. Você tem a opção de decidir o que fazer depois.

 

Escrito por Ruth Mullen, uma Designer Instrucional na Desire to Learn (Desejo de Aprender), uma empresa tecnológica em crescimento em Waterloo, Canadá, e ex-Diretora da FaithTech Toronto. Ruth trata de assuntos como vícios digitais, mídias sociais, teologia do trabalho, e muito mais. Ruth também é uma nerd de história e sabe bastantes fatos insignificantes sobre bolsos, as pirâmides e os Vikings.

Tradução livre por Victor Almeida, texto original https://medium.com/faithtech/my-social-dilemma-should-i-delete-all-my-social-apps-fd2ee2320f3c

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O que o ambiente virtual nos revela sobre os brasileiros?

“Como lidar com a ansiedade”, “depressão”, “o que é a felicidade”. De acordo com dados inéditos divulgados pelo próprio Google, até setembro/2020, buscas  relacionadas a transtornos mentais cresceram 98%, se comparadas com a média dos últimos 10 anos. Além disso, os nove primeiros meses deste ano apontaram para um crescimento de 33% desses termos, se compararmos esse levantamento apenas com os dados de 2019. Mas não só. No mês de junho/2020, perguntas a respeito do que é a felicidade atingiram o maior volume de pesquisas dos últimos oito anos.

Esses dados preocupantes revelam que o isolamento social trazido pela pandemia potencializou os sentimentos de medo, solidão e incerteza, que antes já eram conhecidos por uma parcela relevante da sociedade. Além disso, a falta de contato com outras pessoas fez com que muitos se voltassem para a “única” fonte de conforto que estava ao seu alcance: a internet.

Há um número significativo de pessoas se sentindo sem esperança, sem suporte e em desespero. Elas precisam de uma fonte segura de informações e de um apoio que possa lhes mostrar esperança em meio ao caos. Como cristãos, não dependemos de uma estrutura física para cumprirmos essa missão para sermos esse apoio.

Se as portas das igrejas permanecem fechadas, se as pessoas não podem temporariamente se reunir fisicamente nos templos, se as mãos dadas em oração não podem se tocar para transmitir o amor que nos constrange, se o ombro amigo não pode estar presente, se as vozes não podem se erguer em um só lugar para adorar ao Senhor e proclamar a salvação que vem do Rei, precisamos levar a Igreja ao ambiente virtual e alcançar essas pessoas que estão passando por dificuldades. Precisamos mostrar que o amor de Cristo é capaz de falar aos corações mesmo em um e-mail, uma video chamada ou uma mensagem no WhatsApp. Não temos restrições nas fronteiras  que nos impeçam de compartilhar Jesus. Esta pandemia não parará a ação do Evangelho e nem o mover de Deus.

As pessoas estão clamando e buscando apoio para seus transtornos mentais. Elas querem descobrir onde encontrar a verdadeira felicidade quando o mundo ao nosso redor parece que está ruindo e, mais do que nunca, o futuro parece incerto. Nós, enquanto cristãos, conhecemos a verdadeira fonte de felicidade, e precisamos aproveitar este espaço virtual tão amplo  e repleto de oportunidades para alcançar essas pessoas e apresentar-lhes Aquele que pode suprir todas as suas necessidades: Jesus.

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Cristãos Deveriam Ter Medo da Inteligência Artificial e do Futuro?

Há muitas declarações feitas por aí sobre a Inteligência Artificial – IA que podem facilmente causar medo, pois elas promovem o desconhecido, e o desconhecido é o lugar aonde surge o medo. Mas esses medos são legítimos? Devemos temer o futuro, ou devemos aceitá-lo com animação?

O que é Inteligência Artificial?

Inteligência Artificial (IA) é uma área da ciência da computação dedicada à criação de softwares ou hardwares que podem agir, aprender e se adaptar ao mundo real como os humanos fazem. Ela busca amplificar as capacidades humanas e automatizar tarefas tediosas que precisamos cumprir como humanos, mas ela não busca substituir seres humanos.

É muito menos sobre pragas de robôs assassinos, e muito mais sobre usar a robótica para ajudar a matar pragas.

Artigos Populares sobre IA:

  1. Basics of Neural Network
  2. Making a Simple Neural Network
  3. Are you using the term ‘AI’ incorrectly?
  4. From Perceptron to Deep Neural Nets

Na essência, IA é a ação de introduzir dados, processar dados e promover a saída de dados. O aspecto processual disso é construído para aprender, resolver problemas, prever tendências, responder perguntas e prover ações recomendadas baseadas no que os dados dizem, e quanto mais isso é feito, mais inteligente se torna, e daí a palavra inteligência.

A Inteligência Artificial é assustadora?

Como mencionado anteriormente, há muitas declarações feitas por aí sobre IA que podem facilmente causar medo porque elas promovem o desconhecido, e o desconhecido é o lugar aonde nasce o medo.

“Especialistas em tecnologia não concordam em muitas coisas, mas muitos estão alinhados com a ideia dos perigos potenciais se a IA não for supervisionada.”

Dito isso, IA não é uma tecnologia assustadora, no entanto, é uma tecnologia que nos provoca, como cristãos, a pensar profundamente e de maneira diferente, porque qualquer invenção que tenta imitar as ações de um ser humano, certamente faz surgirem perguntas.

Questões como: Quem irá determinar os limites éticos da IA? O que é certo e errado? Se seres humanos não conseguem definir nossos valores, como as máquinas farão isso? Que efeito a IA terá sobre os valores e dignidade do trabalho humano? A IA resultará em desemprego? A IA pode ter um papel no futuro de pacificação da humanidade? O fato de que ‘podemos’ significa que ‘devemos? Como a IA impactará o que significa ser humano?

A Inteligência Artificial mudará nossa Fé?

A revolução IA começou a mudar as coisas e continuará a transformar a sociedade. Essa revolução criará oportunidades para a Igreja e as instituições com suas bases em crenças religiosas. Embora ela não vá mudar a fé como uma crença, ela pode mudar o que muitas pessoas creem a respeito da fé, delas mesmas e do mundo.

É importante que pessoas que têm crenças pessoais saibam ‘o que’ elas creem, ‘porquê’ elas creem e sejam capazes de simplesmente e confiantemente compartilhar suas crenças.

Um terreno cultural em transformação requererá que firmemos nossa fé em quem cremos, em vez de nos firmar em como nossas crenças são praticadas ou demonstradas para os demais. 

A Inteligência Artificial ajudará a espalhar o Evangelho?

Sim, da mesma forma que as Estradas Romanas, a imprensa, a televisão e a internet foram maneiras revolucionárias de espalhar o Evangelho, a Inteligência Artificial será revolucionária para alcançar ‘os confins da terra’. Ela mudará a forma que o mundo opera, e por causa disso mudará como o Evangelho é espalhado.

A IA certamente não remove nossa responsabilidade de compartilhar o Evangelho, ela simplesmente aumenta a oportunidade. Ela não muda a mensagem, ela simplesmente muda o método de compartilhamento.

Podemos usar a IA para espalhar o Evangelho …

  • Traduzir a Bíblia para qualquer língua, a qualquer momento, em tempo real.
  • Desenvolver maneiras únicas de compartilhar Jesus com aqueles com algum tipo de deficiência.
  • Identificar e interceptar pessoas que estão considerando suicídio ou automutilação e compartilhar esperança com elas.
  • Responder qualquer pergunta feita sobre a Fé a qualquer momento, em qualquer plataforma.
  • Apresentar pessoas para Jesus e conectá-las com uma igreja local.
  • Conectar pessoas pesquisando sobre Fé com cristãos em sua região.
  • E muito mais …

Como Cristãos podem aceitar a Inteligência Artificial e o Futuro?

Podemos aceitar o futuro sabendo no que cremos e porque cremos, ao diversificar nossas habilidades e ao ter confiança em nosso chamado e obedecendo ao Espírito Santo.

Leia mais sobre cada um desses aqui: 3 Things Christians can do to Embrace Artificial Intelligence & the Future.

  1. Confiar que Deus tem controle sobre o futuro. Ele já está no futuro e conhecia o futuro no passado. Ele não está surpreso com o que acontecerá. Quando passamos por momentos que parecem incertos, precisamos nos apegar ao que sabemos que é certo. Não podemos temer o futuro e olhar para o passado em busca de segurança. A única razão de olhar para trás, é ser lembrado do que Deus fez, para que isso possa nos inspirar sobre o que Ele ainda pode fazer! Sua fidelidade no passado nos ajuda a lembrar de ser frutíferos no futuro!
  2. Nos assegurar que a igreja é centrada em Jesus. A Igreja pode começar a adotar formas ou expressões diferentes, mas isso não mudará a necessidade de que as igrejas sejam centradas em Cristo, capazes de influenciar a cultura, vibrantes, generosas e solidárias, inovadoras e capazes de instigar a reflexão. As pessoas são altamente tecnológicas, mas também são altamente pessoais; quanto mais avançamos na tecnologia, as pessoas desejarão ter mais ambientes onde elas possam ter contato com outras pessoas e aprender o que realmente significa ser humano. Se pudermos continuar a ser fornecedores criativos do Evangelho com um coração voltado para a transformação da comunidade, em vez de sermos protetores do Evangelho focados na preservação da Igreja, veremos que a sociedade está olhando para a igreja para buscar uma base.
  3. Pensar de forma diferente sobre alcançar pessoas. Não pense sobre o que foi feito, pense sobre o que não foi feito. Sonhe em como podemos alcançar as pessoas que não foram alcançadas, como podemos resolver problemas sociais e como a tecnologia poderia positivamente moldar a sociedade. Pense nisto… As pessoas usam chat-bots com IA para resolver um problema da alma. As pessoas usam IA para acessar um texto preditivo quando elas escrevem palavras num SMS, imagine se as pessoas pudessem acessar a Palavra de Deus como um texto preditivo. As pessoas usam IA para saber o caminho no Google Maps, imagine se as pessoas pudessem usar IA para obter direcionamento em suas vidas.

Podemos não saber o que o futuro guarda para nós, mas sabemos quem é que guarda o nosso futuro. Sabemos que o medo e a fé são o fruto daquilo que escolhemos manter o nosso foco, então decidimos focar em Jesus, o autor e consumador da nossa fé. Por causa dele é que podemos ser ousados, corajosos e vitoriosos, e podemos encarar o futuro com animação.

Quer conhecer o CV Outreach e se tornar um parceiro?